GC Solar 22.71 GW GD Solar 50.47 GW
Sustentabilidade & ESG

Projeto leva energia solar a aldeias indígenas no RS

Iniciativa promove autonomia energética e propõe novo olhar sobre inclusão indígena no setor

CANAL SOLAR - Projeto leva energia solar a aldeias indígenas no RS

Foto: João Mattos/Divulgação

A instalação de sistemas fotovoltaicos em aldeias indígenas no Rio Grande do Sul é uma inovação que marca a nova fase do “Projeto Ar, Água e Terra”, conduzido pelo IECAM (Instituto de Estudos Culturais e Ambientais). Na aldeia de Teko’a Anhetenguá, em Porto Alegre (RS), um dos momentos mais marcantes foi a reação de José Verá, uma liderança local, ao ver a usina em funcionamento.

“Foi emocionante ver a alegria e a gratidão do Seu José Verá, liderança indígena, um sábio, vendo o sistema funcionar, querendo conhecer, entender. Eles não vão mais ficar sem energia, pois já ficaram duas semanas sem comunicação, sem internet, sem celular”, relatou Denise Wolf, presidente do IECAM e coordenadora do projeto.

Segundo ela, o objetivo vai além da instalação técnica, é também uma ação educativa. A iniciativa busca despertar nos Guarani o entendimento sobre energia solar como pauta de políticas públicas, mostrando que esse modelo pode ser ampliado para cada família, casa ou comunidade, desde que haja vontade política e investimento.

Aldeias isoladas exigem soluções adaptadas

Nem todas as aldeias estão próximas das cidades. Na aldeia Teko’a Yvyty Porã (Serra Bonita), em Maquiné, o projeto precisou se adaptar aos desafios logísticos. A região, que abrange três municípios, localizada a 780 metros de altitude e que se estende mais 2.300 hectares, só é acessível por estradas de terras, o que dificulta o transporte de equipamentos em dias chuvosos.

Para lidar com essa realidade, foi instalada uma estação portátil de energia solar, pensada para baixa manutenção e alta durabilidade, ideal para locais remotos. Apesar dos desafios, o isolamento também tem um lado positivo: fortalece a preservação dos rituais e da cultura Guarani.

Aldeia indígena recebe energia elétrica por meio da solar

Manutenção e capacitação: desafios futuros

A manutenção dos sistemas varia de acordo com o modelo instalado. Na aldeia de Teko’a Anhetenguá, o sistema fotovoltaico exige manutenções periódicas, como o recente caso de um alarme disparado por baixa captação de energia no inverno.O problema foi resolvido com a poda de árvores para melhorar a entrada de radiação solar.

De acordo com Denise, os próprios Guaranis ainda não demonstraram interesse em aprender a parte elétrica do sistema, e as manutenções são feitas pelos técnicos do projeto. Porém, a capacitação técnica de indígenas é vista como uma possibilidade futura, especialmente se houver ampliação do programa.

Visão de futuro

A meta do projeto é ambiciosa para expandir o modelo para outras regiões e etnias indígenas do Brasil. Até agora, o IECAM já atuou em mais de 20 aldeias e reuniu representantes da Nação Guarani do Brasil e aldeias da Argentina, Paraguai e Uruguai em encontros internacionais. Apesar do reconhecimento, o principal desafio segue sendo o financiamento. “A Petrobras tem sido fundamental com o patrocínio. Mas, para ampliar o impacto, é preciso mais apoio e mais investimento”, afirmou a coordenadora.

Equipe do projeto

A equipe técnica – formada por agrônomos, biólogos, cartógrafo, engenheiro ambiental e arquiteto – conta com profissionais experientes no trabalho com comunidades indígenas, atuando sempre com apoio de agentes Guarani em cada aldeia. “Toda nossa equipe tem experiência com a cultura indígena, mas, quando há necessidade de um ou outro profissional se juntar a nós, há um processo de integração, uma preparação antes de entrar em campo”, relatou a presidente do IECAM.

A entrada de novos técnicos no projeto passa por um processo de preparação, que inclui a apresentação ao cacique e à comunidade, além da observação de um código de ética construído com as próprias aldeias. As atividades seguem uma metodologia de escuta e construção coletiva, respeitando o tempo e os dons individuais dos indígenas para atividades como o viveirismo, compostagem e mapeamento.

A metodologia é colocada em prática por meio de reuniões, oficinas, trilhas, mutirões e encontros. Em seguida, os Guaranis se dividem em grupos – lideranças, jovens e mulheres – para debater internamente. Depois, todos se reúnem novamente para compartilhar demandas e construir, de forma conjunta, as soluções.

Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.

Caique Amorim
Sobre o autor
Caique Amorim

Estudante de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Tenho experiência na produção de matérias jornalísticas.

Comentários (1)

Os comentários são moderados antes da publicação

Os comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.

Deixe seu comentário

  • Hilton Ferreira Magslhaes

    O chamado Luz para Todos da antiga Eletrobras estatal sob a coordenação de Furnas. Houve um certo hiato. Esperamos que esse importante projeto não seja descontinuado..Há uma frase que gosto muito. A energia mais cara é aquela que não temos. As comunidades indígenas e agrícolas isoladas só ganham em todos os sentidos.

Canal Solar
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.