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Política & Regulação

ANEEL retira de pauta processo sobre cortes de geração

Processo está sob relatoria da diretora Agnes e recebeu após manifestação da AGU

Canal Solar - ANEEL retira de pauta processo sobre cortes de geração após manifestação da AGU

Foto: YouTube ANEEL/Reprodução

A diretoria da ANEEL retirou de pauta o Processo nº 48500.000375/2019-83, que trata do resultado da terceira fase da Consulta Pública nº 45/2019, responsável por definir os critérios operativos para redução ou limitação de geração no SIN (Sistema Interligado Nacional).

O processo está sob relatoria da diretora Agnes Maria de Aragão da Costa e é conduzido pela Superintendência de Regulação dos SGM (Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica). Até o momento, não foi divulgada nova data para deliberação.

A retirada ocorre um dia após a divulgação de manifestação da AGU (Advocacia-Geral da União), por meio da Procuradoria Federal junto à ANEEL, sobre o “corte contábil” aplicado à MMGD (micro e minigeração distribuída).

No parecer, solicitado no âmbito da própria Consulta Pública 45/2019, a AGU concluiu que o corte contábil, entendido como uma sistemática de rateio econômico que mescla diferentes fontes de geração para compensação financeira dos efeitos do corte, não encontra respaldo na legislação vigente.

Já o corte físico da geração, quando determinado por razões operativas, possui fundamento jurídico em determinadas circunstâncias.

O documento analisou especificamente a possibilidade de adoção de uma sistemática contábil que combinasse fontes como hidrelétrica, solar e eólica para fins de rateio econômico.

Segundo a Procuradoria, essa metodologia não configuraria realocação estrutural de riscos entre agentes, mas apenas um ajuste acessório ex-post, o que não seria suficiente para conferir base legal à sua aplicação.

Tema sensível para o mercado

A Consulta Pública nº 45/2019 ganhou relevância nos últimos anos diante do aumento dos episódios de restrição operativa e curtailment no SIN, especialmente com a expansão das fontes renováveis variáveis, como solar e eólica.

A definição dos critérios para limitação de geração impacta diretamente a previsibilidade econômica dos empreendimentos, bem como a alocação de riscos entre agentes. No caso da MMGD, a discussão sobre eventual corte contábil gerou forte mobilização do setor.

A retirada do processo da pauta pode indicar a necessidade de ajustes adicionais na proposta normativa à luz do entendimento jurídico apresentado pela AGU. O mercado agora aguarda a retomada da deliberação e possíveis sinalizações da diretoria da ANEEL sobre os próximos passos.

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Ericka Araújo
Sobre o autor
Ericka Araújo

Gerente de Comunicação do Canal Solar. Host do Papo Solar. Desde 2020, acompanha o mercado de energias renováveis. Possui experiência em produção de podcast, programas de entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Em 2019, recebeu o Prêmio Jornalista Tropical 2019 pela SBMT e o Prêmio FEAC de Jornalismo.

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